terça-feira , 17 setembro 2019

4 coisas que você precisa saber sobra a estratégia da Microsoft para os smartphones Lumia

Já faz seis meses que a Microsoft anunciou uma mudança drástica no direcionamento e estratégia dos smartphones Lumia. As mudanças estão sendo implementadas para tentar transformar a unidade de negócio de smartphones em algo lucrativo (ou pelo menos diminuir o prejuízo). Vale lembrar que a Microsoft teve êxito no Surface, que nasceu com prejuízo milionário e hoje é uma das grandes apostas da companhia.

O tempo passou e percebo que até hoje o novo direcionamento não foi compreendido por grande parte da mídia especializada. E isso é totalmente normal. Afinal, a mudança é grande e só agora com o Lumia 950 é que estamos vendo o primeiro grande lançamento sob a nova estratégia. Além disso, é necessário uma certa experiência corporativa para assimilar todas estas questões.

Por isso, resolvi destacar 4 grandes pontos que descrevem como a Microsoft está tratando os smartphones Lumia neste momento.

1) APENAS TRÊS TIPOS DE PÚBLICO

Meses atrás, Satya Nadella (CEO da Microsoft) deixou claro que o novo foco da companhia para os celulares Lumia se resume a estes três segmentos do público.

a) Smartphones de entrada – Os Lumias tem grande vantagem competitiva sobre o Android neste segmento por oferecer uma experiência mais fluída e sem travamentos mesmo nos aparelhos com hardware modesto.

b) Mercado corporativo – Windows, Office, Skype e Exchange são produtos utilizados pela grande maioria das empresas, o que facilita (e muito) uma oferta de um smartphone Lumia a este público.

c) Aparelhos premium para fãs do ecossistema Windows– Nadella assumiu o compromisso de continuar criando soluções para as pessoas que como eu (e muitos de vocês) estão dispostas a pagar mais por um smartphone premium com a plataforma da Microsoft.

Resumindo… A Microsoft terá pouca (ou nenhuma força competitiva) no segmento intermediário que é o mais disputado, principalmente em países como o Brasil.

É claro que um aparelho dos itens a ou b até pode disputar este mercado. No entanto, será impossível ter um smartphone Lumia para disputar todas as faixas de preço existentes dentro do range de R$ 900 à R$ 2 mil.

2) NÃO HAVERÁ DIVULGAÇÃO EM MASSA

Caldeirão do Huck (Lumia 530 Dual Sim)

Você provavelmente não verá mais anúncios dos smartphones Lumia na TV aberta, pontos de ônibus e relógios de rua como aconteceu anteriormente. As propagandas de página inteira na revista Veja também fazem parte do passado

Lumia930_ponto_onibus_2

É claro que poderão haver exceções. A Microsoft pode ter algum contrato em vigor (assinado no passado) para fazer divulgação em algum veículo. De repente, alguma ação grande de outros produtos da empresa que acabe tendo um Lumia encaixado, ou quem sabe, pode surgir alguma ação conjunta com algum parceiro, onde (parte) do investimento de mídia seja bancado pela outra parte.

Mas no geral, qualquer tipo de divulgação será infinitamente menor do que a realizada no passado com outros aparelhos, como o Lumia 1020 por exemplo.

3) DISTRIBUIÇÃO TENDE A SER REDUZIDA

Claro - Lumia

Não se surpreenda se você não encontrar mais aparelhos Lumia em uma ou mais operadoras ou redes de varejo.

O modelo atual de oferta de produtos que tem baixa aceitação (infelizmente é aqui que os Lumias se encaixam) é baseado em incentivos e comissões.

Como a tendência é de que o orçamento de marketing da Microsoft seja concentrado em outros produtos, é altamente provável que os smartphones Lumia tenham seus canais de distribuição cada vez mais reduzidos (pelo menos em lojas físicas).

Desta forma, a comercialização tende a ficar concentrada nos canais próprios da Microsoft e no e-commerce em geral.

4) MENOR DIVERSIDADE DE PRODUTOS

Lumia_family1

Esqueçam aquela insanidade que a Nokia fazia quando lançava trocentros aparelhos similares como os Lumias 435, 532, 530, 535, 630, 635 e aí por diante.

Cada modelo lançado tem sua própria linha de custo que envolve embalagem, distribuição, produção de manuais, suporte, atendimento, manutenção e etc. Portanto para reduzir custos, a empresa deverá lançar no máximo dois modelos por ano para atender a cada um dos três segmentos citados no item 1.

O usuário comum não precisa entender destas questões. Mas é importante ter pelo menos uma vaga ideia de como funcionam grandes corporações. São muitas áreas, muitas pessoas e muitos departamentos e nem sempre eles estão totalmente alinhados.

Não é porque você viu um vídeo no YouTube postado pela Microsoft em PT-BR que o produto será lançado por aqui. Ser homologado na Anatel, embora seja um forte indício, também não é garantia de lançamento. Lembram do Nokia X que chegou até a ter convite de evento de lançamento em São Paulo? E se olharmos pra fora não é diferente, o mesmo aconteceu com o Surface Mini.

Mas voltando ao foco do post, são medidas necessárias para manter a continuidade do negócio. Obviamente nem todas me agradam. Mas antes isso do que ver a morte trágica dos Lumias às vésperas do lançamento do Windows 10 Mobile.

About igorlt

Twitteiro compulsivo formado em Rádio & TV. Usuário Nokia desde 1999 e expert em Mobile Payment.